terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Músicas "narrativas" ! ! !

 Clipe da música "The one"

Olá Pessoal!

Tive uma ideia a respeito de algumas músicas que escuto:
Acredito que  algumas tenham uma "cara épica". 
Explico: tenho a impressão de que elas têm fases muito distintas e ascendentes no decorrer da composição, e criam uma sensação de entendimento gradativo, como se começo, meio e fim fossem etapas notadamente importantes para o entendimento (leia-se deleite) da música, criando um efeito de travessia após a escuta da canção:

Minha primeira sugestão é "The one", composta pelo cantor britânico Elton John.

A música é cheia de referências e símbologias, independentemente de qualquer juízo de valor ou interpretações sobre a letra.


Abaixo está a letra:

 

The One

I saw you dancin' out the ocean
Running fast along the sand
A spirit born of earth and water
Fire flying from your hands

In the instant that you love someone
In the second that the hammer hits
Reality runs up your spine
And the pieces finally fit

And all I ever needed was the one
Like freedom feels where wild horses run
When stars collide like you and I
No shadows block the sun
You're all I've ever needed
Babe, you're the one

There are caravans we follow
Drunken nights in dark hotels
When chances breathe between the silence
Where sex and love no longer gel

For each man in his time is Cain
Until he walks along the beach
And sees his future in the water
A long lost heart within his reach

And all I ever needed was the one
Like freedom feels where wild horses run
When stars collide like you and I
No shadows block the sun
You're all I've ever needed
Ooh babe, you're the one
UMA TRADUÇÃO:

A Pessoa

Eu vi você dançando lá fora no oceano,
Correndo rápido ao longo da areia.
Um espírito nascido da terra e da água,
Fogo voando de suas mãos.

No momento que você ama alguém,
No segundo que o martelo bate,
A realidade sobe rápido pela sua espinha
E os pedaços finalmente se encaixam.

E tudo que eu sempre precisei era a pessoa,
Como campos de liberdade onde cavalos selvagens correm.
Quando estrelas colidem como você e eu,
Nenhuma sombra bloqueia o sol.
Você é tudo que eu sempre precisei,
Baby, você é a pessoa.

Existem caravanas que seguimos,
Noites ébrias em hotéis escuros,
Quando perigos sussuram em meio ao silêncio,
Onde sexo e amor não mais se misturam.

Pois todo homem a seu tempo é Cain,
Até que ele caminhe ao longo da praia
E veja seu futuro na água.
Um coração há muito tempo perdido, dentro do seu alcance.

E tudo que eu sempre precisei era a pessoa,
Como campos de liberdade onde cavalos selvagens correm.
Quando estrelas colidem como você e eu,
Nenhuma sombra bloqueia o sol.
Você é tudo que eu sempre precisei,
Baby, você é a pessoa...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Letra de "música"/crônica ?



Tom's Diner (Suzanne Vega)

I am sitting / In the morning At the diner On the corner I am waiting At the counter For the man To pour the coffee And he fills it Only halfway And before I even argue He is looking Out the window At somebody Coming in "It is always Nice to see you" Says the man Behind the counter To the woman Who has come in She is shaking Her umbrella
And I look The other way As they are kissing Their hellos I'm pretending Not to see them Instead I pour the milk I open Up the paper There's a story Of an actor Who had died While he was drinking It was no one I had heard of And I'm turning To the horoscope And looking For the funnies When I'm feeling Someone watching me And so I raise my head
There's a woman On the outside Looking inside Does she see me? No she does not Really see me Cause she sees Her own reflection And I'm trying Not to notice That she's hitching Up her skirt And while she's
Straightening her stockings Her hair Is getting wet Oh, this rain It will continue Through the morning As I'm listening To the bells Of the cathedral I am thinking Of your voice... And of the midnight picnic  Once upon a time Before the rain began... I finish up my coffee It's time to catch the train


UMA TRADUÇÃO:

Janta do Tom

Estou sentada / De manhã No café Da esquina Estou esperando No balcão Pelo homem Para por o café E ele encheu Só até a metade E antes mesmo que eu reclamasse Ele estava olhando para Fora da janela
Para alguém que estava entrando "É sempre um prazer te ver" Disse o homem Atrás do balcão Para a mulher Que tinha entrado Ela estava balançando Seu guarda-chuva E eu olho para O outro lado Enquanto eles estão se beijando Seus "olas" Estou fingindo Que não estou os vendo Em vez disso Eu ponho o leite Eu abro O jornal  Tem uma história De um ator Que tinha morrido Enquanto estava bebendo Não era ninguém Que eu tinha ouvido falar E estou virando para o horóscopo
E procurando Pelas histórias em quadrinhos Quando eu senti Alguém me observando E então Eu ergui a cabeça Há uma mulher No lado de fora
Olhando para dentro Será que ela me vê? Não, ela realmente não me vê
Porque ela vê Seu próprio reflexo Eu estou tentando Não notar Que ela está puxando Sua saia para cima E enquanto ela está Ajeitando sua meia
Seu cabelo Está ficando úmido Oh, essa chuva continuará
Pela manhã Enquanto eu estou ouvindo Os sinos Da catedral Estou pensando Na sua voz E do piquenique da meia-noite Era uma vez... Antes de a chuva começar Eu terminei meu café É hora de pegar o trem.

Álbum Solitude Standing




domingo, 15 de janeiro de 2012

2012... um final de mundo?



2012 será o fim do mundo...
Concordo com isso...
Até aceito a afirmação com certo gosto e satisfação... mesmo ! ! !
Sabes por quê?
Qualquer passagem de ano é hora de certos mundos desmoronarem, certas versões de comportamento, certas maneiras de ver, certos preceitos, preconceitos e teimosias com os quais fazemos de nossas ações prisões e bombas, prestes a explodir e dar um destino trágico à nossa posteridade.
Ano vivido, um mundo enxertado no tempo, termina. Certas maneiras de agir nele também, acredita-se, "acabam" no ressoar de uma rolha de que não faz acepção de garrafas e dos seus conteúdos.
Que esse ano não pareça novo apenas em seu último dia, preenchido por lembranças que lhe imprimem (ou imprimiram) a cara de "novo". Que ele seja cada vez mais exuberante como o retorno da estrela que teima em mostrar que a luz renovadora sempre estará a fazer crescer os vegetais! Façamos de nossos dias mil anos, para que nossa esperança na sequência seja sempre a fortaleza de nossa restauração.
Fazer do nosso tempo os momentos mais sublimes de nossa civilização de contatos não dever ser muito difícil. Dividir palavras de apoio pode ser antonímico a espalhar por aí que um "fim de mundo" está próximo. O que fazer diante desta afirmação tão categórica, que afeta uma visão sobre a vida em nossa metade de cultura cristã e fatalista? Não sei, mas essa mesma cultura nos faz perceber que não apenas estamos diante de nossos medos mas, também, dispostos a suplantar as adversidades e conquistar o que desejamos.

Cada ano acaba... cada frase termina... cada pensamento passa... cada escrito se "esquece"... Mas todos se comportam, se intercalam, como certas orações que temos tanta dificuldade para entender!...

Nossas impressões movem para o dia seguinte... com a floresta que pode nos servir de papel, ou ainda o próprio papel, em destino de reciclagem...

Danilo Cerqueira

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um "Banquete"


Afirmo, portanto, que por três causas a presença torna a pessoa de menor valor do que realmente possui. Uma é a puerilidade, não de idade, mas de ânimo; a segunda é a inveja - e estas residem naquele que julga; a terceira é a imperfeição humana que reside naquele que é julgado [grifo meu].

A primeira pode ser assim brevemente desenvolvida. A maior parte dos homens vive segundo os sentidos e não segundo a razão, ao modo de crianças. Esses não conhecem as coisas senão superficialmente por seu exterior e sua bondade, ordenada a específico fim, não a captam, porquanto isso veem antes tudo aquilo que podem e julgam sendo seu modo de ver. E como, por ter ouvido, se formam uma vaga ideia da fama de outrem, em cuja presença discorda com o perfeito juízo que não segundo a razão mas somente segundo os sentidos julgam, considerando quase mentira aquilo que antes haviam ouvido e passam a desprezar a pessoa que antes admiravam. Por isso, segundo esses, que são infelizmente quase todos, a presença restringe tanto o prestígio quanto a má fama. Essas passam logo da fome à saciedade, muitas vezes estão alegres e muitas vezes tristes com efêmeras alegrias e tristezas, passam logo de amigos para inimigos, fazendo tudo como crianças, sem uso da razão.

A segunda se constata por estas razões. Igualdade de condições naqueles que têm vícios é a causa da inveja, e inveja é a causa do mau juízo, mas que não deixa a razão argumentar sobre a coisa invejada  e o poder do julgador é então aquele juiz que ouve somente uma das partes. Por isso, quando esses veem a pessoa famosa, tornam-se imediatamente invejosos porquanto se consideram membros iguais e de igual poder, temendo, por causa da excelência desse, serem menos prestigiados. E esses, vencidos pela paixão, não somente julgam mal, mas, difamando, levam os outros a julgar mal. Por isso nesses a presença restringe o bem e o mal em cada um que se apresenta Digo o mal porque, encontrado prazer em fazer o mal, provocam a inveja daqueles que fazem mal [interessante essa ideia].

A terceira é a imperfeição humana, da parte daquele que é julgado, que não deixa de ser familiar e muito comentada. Como evidência desta, sobe-se que o homem é de muitas formas maculado e, como diz Santo Agostinho, "ninguém está sem mácula". Quando o homem é maculado por uma paixão, à qual por vezes não consegue resistir; quando é maculado por alguma deformidade num membro; quando é maculado por algum golpe do destino; quando é maculado pela má fama de parentes ou de alguém próximo a ele; essa coisas não são levadas pela fama, mas pela presença e vêm à tona com o frequentar-se. Essas máculas lançam alguma sombra sobre a clareza da bondade, de tal modo que a fazem parecer menos clara e menos valiosa. E é por isso que todo profeta é menos prestigiado em sua pátria; é por isso que o homem bom deve mostrar-se com sua presença a poucos e permitir menos ainda a familiaridade, a fim da que seu nome seja conhecido, mas não desprezado [tenho algumas oposições quanto a isso ser ou não necessário hoje em dia]. Essa proposição pode ser configurar-se tanto no mal quanto no bem [ah!], se os termos da questão forem invertidos. Pode-se observar com toda a evidência que por imperfeição, sem a qual não há ninguém, a presença restringe o bem e o mal em cada um para além dos limites da verdade.

Por isso, como disse antes, pelo fato de ter-me apresentado a quase todos os itálicos, acabei por tornar-me mais vil talvez do que correspondesse à verdade, não somente para aqueles aos quais minha fama já tinha chegado, mas também aos outros e, por conseguinte, todas as coisas que dizem respeito a mim, sem dúvida, juntamente foram comigo depreciadas.

ALIGHIERI, Dante. Banquete. Trad. Ciro Mioranza. São Paulo: Editora Escala, [200?]. p. 22-23.