sábado, 28 de maio de 2011

As letras das músicas em diálogo com o conhecimento sobre a vida XI

Tempo / Espaço
Composição: Lulu Santos

Olha meu bem o céu
Vê quanta luz, quanta estrela
Quase todas mortas
Só não é chegado para nós o tempo que se apagarão
A gente tá na lanterna, do tempo que virá

Capa do CD Liga Lá (1997)

Um pouco de outra ciência não faz mal né:

Em física, espaço-tempo é o sistema de coordenadas utilizado como base para o estudo da relatividade especial e relatividade geral. O tempo e o espaço tridimensional são concebidos, em conjunto, como uma única variedade de quatro dimensões a que se dá o nome de espaço-tempo. Um ponto, no espaço-tempo, pode ser designado como um "acontecimento". Cada acontecimento tem quatro coordenadas (t, x, y, z); ou, em coordenadas angulares, t, r, θ, e φ que dizem o local e a hora em que ele ocorreu, ocorre ou ocorrerá.

Mais? Veja esta fonte.





 Ilustração da curvatura do Espaço-tempo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pensamentos

Foto e sombra: Danilo Cerqueira

Todos os desejos querem o objetivo: ponto diluído no percurso da linha.

sábado, 14 de maio de 2011

"Embriague-se?" E depois, acostume-se às dores "de" cabeça...

É muito bom descobrir as coisas de maneira vivencial, lendo e escutando. Nesse caso, a minha ordem foi escutar e ler.
Vejam a letra dessa música da banda Barão Vermelho (capa do CD Barão Vernelho - 2004)




EMBRIAGUE-SE
(Frejat / Mauro Santa Cecília)

Tudo acaba nisso
É a única questão 
Embriagar-se é preciso 
Não importa que horas são

Não ser escravo do tempo
 

Nas escadarias de um palácio 
Na beira de um barranco 
Ou na solidão do quarto

Embriague-se
 

Embriague-se de noite 
Ou ao meio-dia


Embriague-se
Embriague-se numa boa 

De vinho, virtude ou poesia

Tudo acaba nisso
 

É a única questão 
Embriagar-se é preciso 
Não importa que horas são

Pra quem foge,pra quem geme
 

Pra quem fala,pra quem canta 
Pra não ter medo da maldade 
Pra acordar toda cidade

Embriague-se
 

Embriague-se de noite 
Ou ao meio-dia


Embriague-se 
Embriague-se numa boa 
De vinho, virtude ou poesia


* LIVRE ADAPTAÇÃO DO POEMA EM PROSA
"EMBRIAGUE-SE", DE BAUDELAIRE


P.S.: durante algum tempo, "Pra não ter medo da maldade" soava tão verdadeiramente "Pra não temer toda maldade"




Charles Baudelaire


Aqui vai o "pequeno poema em prosa" de Baudelaire

É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.
E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira'.

Charles Baudelaire

Livro Pequenos poemas em prosa





 Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de Abril de 1821 — Paris, 31 de Agosto de 1867) foi um poeta e teórico da arte francêsa. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição moderna em poesia,[1] juntamente com Walt Whitman, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.
Nasceu em Paris a 9 de abril de 1821. Estudou no Colégio Real de Lyon e Colégio Louis-Le-Grand (de onde foi expulso por não querer mostrar um bilhete que lhe foi passado por um colega).
Em 1840 foi enviado pelo padrasto, preocupado com sua vida desregrada, à Índia, mas nunca chegou ao destino. Pára na ilha da Reunião e retorna a Paris. Atingindo a maioridade, ganha posse da herança do pai. Por dois anos vive entre drogas e álcool na companhia de Jeanne Duval. Em 1844 sua mãe entra na justiça, acusando-o de pródigo, e então sua fortuna torna-se controlada por um notário.
Em 1857 é lançado As flores do mal contendo 100 poemas. O livro é acusado no mesmo ano, pelo poder público, de ultrajar a moral pública. Os exemplares são presos, o escritor paga 300 francos e a editora 100, de multa.
Essa censura se deveu a apenas seis poemas do livro. Baudelaire aceita a sentença e escreveu seis novos poemas "mais belos que os suprimidos", segundo ele.
Mesmo depois disso, Baudelaire tenta ingressar na Academia Francesa. Há divergência, entre os estudiosos, sobre a principal razão pela qual Baudelaire tentou isso. Uns dizem que foi para se reabilitar aos olhos da mãe (que dessa forma lhe daria mais dinheiro), e outros dizem que ele queria se reabilitar com o público em geral, que via suas obras com maus olhos em função das duras críticas que ele recebia da burguesia.
Morreu prematuramente sem sequer conhecer a fama, em 1867, em Paris, e seu corpo está sepultado no Cemitério do Montparnasse, em Paris.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 

domingo, 8 de maio de 2011

Chuvas?!


Foi como estar abaixo do profundo.
Somos nós os mesmos ao ultrapassarmos as elipses do temperamento?...
Não... não sei o que é ter estado acima de todos os subterfúgios da ira, a ponto de avançar iracundo à jugular de um ser humano...
Mas imaginei... imaginei!!!







Tive forças e pari um pensamento vil e sanguinário... 
Socos e mais socos, no tronco e cabeça, a espera de uma queda digna dos filmes de boxe...

Mantive, quis manter a alma acima dos palpites de violência... Talvez no céu... Foi a imaginação. Nem sei se era a mente desabrochando no terreno, frontispício ao ódio, ou se estava finalmente revivendo o ímpeto animalesco, buscando talvez forças em algum dinossauro emprestado junto ao sinal de TV...
Olhei para o chão molhado, identifiquei-me numa poça, esboço de espelho. Meio que devolvi a tal inquietação naquele solvente. Ergui o rosto e, "resgatado da cegueira" provocada pela "impérvia escuridão obnubilante" (como lembrei do Augusto nessa hora!), avancei para debaixo de uma árvore que dava uma "sombra" maior... E finalmente consegui abrigo da chuva torrencial.
Mesmo assim gotas e mais gotas laminavam meus cabelos e umedeciam o couro cabeludo. Golpes de água e mais água sobre uma pobre cabeça - a minha consciência.


Danilo C. Almeida


"O que em mim fica? O que em mim significa?"



É natural que o homem aprenda das suas próprias necessidades as coisas  que lhe são necessárias, e estas uma vez descobertas, não é menos verrossímil que os aperfeiçoamentos e a facilidade de meios se encarreguem do seu desenvolvimento.
Livro IV, cap.9, p.101.


A lei só tem força para se fazer obedecer no hábito, e o hábito só se forma com o tempo, com os anos. Assim, mudar com facilidade as leis existentes por outras novas é enfraquecer a sua própria força.
Livro II, cap.5, p.46.


10. Sem dúvida a virtude inerente ao mando e à obediência não é a mesma; mas é preciso que o bom cidadão saiba e possa obedecer e mandar; o que faz a sua própria virtude é formar os homens livres sob esta dupla relação. Por conseguinte, a virtude do homem de bem reúne essas duas relações, embora haja uma espécie de temperança e justiça que não são as mesmas naquele que manda e naquele que obedece. Porque é evidente que não pode existir, para o homem de bem que obedece, mas que é livre, uma só e única virtude, como a justiça, por exemplo - mas que várias existem, conforme ele mande ou obedeça.[...].
11. A prudência é a única virtude natural naquele que manda. Porque, nas outras virtudes, parece necessário que tenham igualmente parte os que mandam e os que obedecem. A virtude do súdito não é a prudência, e sim um julgamento são e reto.
Livro III, cap.2, p.63.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

As letras das músicas em diálogo com o conhecimento sobre a vida X

A música que não desejaria que tocassem pra mim, "Obrigado" pode ter interpretações várias. Imaginem, por exemplo, se fosse pra falar dos comportamentos que aprendemos durante toda a vida, os mesmos que, ora são repudiados, ora são praticados sob um suntuoso silêncio e aquiescência social.


Obrigado (Por Ter Se Mandado) 
Composição : Cazuza / Luiz

Obrigado
Por ter se mandado
Ter me condenado a tanta liberdade
Pelas tardes nunca foi tão tarde
Teus abraços, tuas ameaças 

Obrigado
Por eu ter te amado
Com a fidelidade de um bicho amestrado
Pelas vezes que eu chorei sem vontade
Pra te impressionar, causar piedade 

Pelos dias de cão, muito obrigado
Pela frase feita
Por esculhambar meu coração
Antiquado e careta
Me trair, me dar inspiração
Preu ganhar dinheiro 

Obrigado
Por ter se mandado
Ter me acordado pra realidade
Das pessoas que eu já nem lembrava
Pareciam todas ter a tua cara 

Obrigado
Por não ter voltado
Pra buscar as coisas que se acabaram
E também por não ter dito obrigado
Ter levado a ingratidão bem guardada

Pelos dias de cão, muito obrigado
Pela frase feita
Por esculhambar meu coração
Antiquado e careta
Me trair, me dar inspiração
Preu ganhar dinheiro
Essa música está presente no álbum Ideologia (1988), aquele das famosas "Brasil" e "Faz parte do meu show"