domingo, 27 de dezembro de 2009

(.)(.)(.)... MANIFESTO INGÊNUO ...(.)(.)(.)




A poesia começa quando o poeta pensa que acabou o poema.

O poema não é a poesia. É somente um dos seus condutores, talvez até o mais aparelhado.

Toda poesia que cede ao poema frustra-se.

Todo poema que cede ao verso, perturba-se.Todo verso que cede à beleza arrisca-se.

Toda beleza que domine o poeta ameaça-o de não alcançar a poesia.

O poema precisa ser escravo da poesia.

Deve aviltar-se, ser volúvel, hipócrita ou solidário, mas corajoso o suficient,e para compreender e aceitar o seu lugar de coadjuvante.

Há poetas que começam e acabam seus versos no poema e jamais atingem a poesia, mesmo utilizando-se da melhor inspiração e de refinada linguagem.

Poesia, poema, verso e poeta são concomitantes, contraditórios e conflituosos ao mesmo tempo. Inimigos íntimos que se amam.

A poesia é soberana.

O poema e o verso, invejosos, ambicionam o lugar dela.

O poeta é um ser carente, aturdido e lindo, o único com permissão de levar o vers,o, o poema e a beleza para o julgamento da poesia. Esta, exigente, quase sempre reprova os vários intentos do poeta, embora jamais o proíba de dar luz ao poema.

A poesia sabe que, mesmo quando não alcançada, vislumbres do que é podem estar presentes no po,ema, em alguns ou muitos versos ou nos delírios do poeta. Por isso só interfere no seu trabalho para disparar a inspiração.

A poesia é deusa.

Verso e poema são anjos: intermediários entre o território superior e sagrado da poesia; entidades de gr,ande valor transitivo. Jamais verdades em si mesmas.

O poeta é o herói mitológico. Nasce do casamento de uma deusa (a poesia), com um mortal (o poema). É bem-vindo, porque ajuda a quase impossível compreensão do que é a poesia. É um ser alado e,bendito, amaldiçoado pela dúvida, cujo afã é o verso e a finalidade o poema.

Alça-se à procura da deusa-poesia. Esta, somente em alguns casos e por especial concessão olímpica, se deixa alcançar, desde que o poeta não se embebede com o verso, com o poema,ou consigo mesmo, sobretudo se for talentoso.

Poema e verso jamais podem se arrogar a pretensão de representar com exclusividade a poesia. São meros condutores que, ao se suporem representantes da poesia, são por ela punidos.

A poesia é, tão superior, que nem da beleza precisa. Esta, em geral, a disfarça ou atenua. Por mais bem que faça - e faz - a beleza é a ilusão da poesia. Só vale, quando se serve do poema para tentar atingir a poesia. Esta só precisa de som, ritmo e palavra por vive,r mais próxima da música, que do discurso.

Não é o poeta que escolhe a poesia. Esta o escolhe sem lhe fornecer, jamais, poderes incondicionais sobre o poema e quase sempre lhe negando a precisão do verso; às vezes até embebedando-o com notáveis d,escobertas no idioma. E quando, por ser superior, humilha, logo depois se mostra disponível tanto melhor quanto mais fácil e desfrutável. Esconde-se onde se revela, chegando às vezes à humildade de necessitar do poema a quem em seguida desdenha e escarnece.

A única liberdade possível ao poeta é a de buscar a poesia.

Ela quase sempre está onde o poema a oculta ao mesmo tempo em que a proclama.
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Artur da Távola (1936-2008)

sábado, 26 de dezembro de 2009


Dá, Nilo!

Ser, queira alma e

Ida!!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Na sala de espera do paraíso

"Você celebrava com os seus amigos
Na sala de espera do paraíso"
Leoni, Na sala de espera. Fonte: www.leoni.com.br/

Verso e círculos!

Nesses versículos expostos à meia-luz, duma tela plana como um campo de futebol, ocorre o show da vida!
Deixando essa fantástica (risos) odisséia trocadilhística de lado, vejamos para o que viemos, caro leitor: algo escrito para além de quem é vc!
Precisamos realmente ler o necessário para entendermos o essencial?
É possível comparar grandes metáforas (definamos o que é ser pragmaticamente grande) a relações e conhecimentos do vulgo (povão mesmo!)?.
A este que lê o tal escrito dialógico, onde está sua desconfiança da incompreensibilidade de meu texto?
Será mesmo que o homem que escreve será o mesmo que lê? Lê numa manhã fria, no entanto escreve seca e quentemente; escreve ao sol, mas com uma umidade surreal. O ponto de partida para uma leitura é (mas pode não ser) o que gravita "visualmente" em torno do globo ocular que quem lê. Esta é a gravidade das coisas! O "corpo que olha" observa, mas age; vê, mas atua; perscruta, mas encabeça. Meu texto também é ação, não apenas a provoca. A flor que é linda também está em processo de embelezamento e, caso não tenhamos ainda atentado para o fato, de detruição também.

Danilo Cerqueira.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Vocabulúmido

Foto: Danilo Cerqueira














Palavra incerta.
Mesa cheia a respeito
Da incerteza criada,
Ilustada nos corais da razão.

Local primeiro da madrugada.
O sonâmbulo marcha
E o sol à espreita, besta,
A corar de susto,
Deixa apenas muco:
Ideias geniais.

Danilo Cerqueira Almeida

Presente também na 17ª edição do Jornal Fuxico