domingo, 27 de maio de 2012

Pensamentos, divagações e digressões



- Eu quero um terço... Eu quero um terço... Eu quero um terço.

- Já tens três terços...


- Três terços de querer não é uma unidade de precisão!?


- Precisão de necessidade a sua.


- Necessidade de ser completo?


- Não. Necessidade de juntar.


- Juntar? Ter?


- Ter no conjunto, na precisão da partilha!


- Da partida!


- Sim... para a importância da perdida?


- Dividir faz perder mesmo, fica sobra.


- Se meu problema fosse o resto... mas é o inteiro!!!


- Deixe pra lá... uma vez dividido, juntar dá um trabalho...



Danilo Cerqueira

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os casos desta Távola redonda...

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 - Garçons do mundo, uni-vos. Vocês me servem aqui mas eu vou servir vocês no parlamento. Tragam farinha com mais-valia e chope com meditação transcedental. Fio dental? Não. Meditação transcedental. Vou fundir a existência com a política e a política com existência, coisa que esses burros aqui e o burro do Henrique lá no Centro de Zen-Budismo não entendem. É isso mesmo: zen-budismo! Não é carne de boi zebu, não, nem bunda de boi zebu, é zen-budismo. Traz um zebu zen-budista aí pro craque. Craque. Há há há! E olha, de sobremesa quero doce de unidade sindical misturado com sorvete de palavra-de-ordem para trabalhadores e estudantes. Tudo naquela calda de liberdade que você, seu garçom burro, não sabe reivindicar por causa da gorjeta. Traz um cafezinho da burguesia misturado com a oração do sol poente. Vou palitar os dentes pensando em Lao Tsé, mas esse é o do Tao, não é político não, seu burro. O Ocidente começou a fazer a mesma briga que há entre o taoísmo e o confucionismo. Vocês são capazes de entender o que é isso. Os políticos são filhos de Confúcio. Os pensadores são filhos de Lao Tsé. Eu morro de amores pelos dois. Traz um craque de sobremesa. Um craque! Com suíta! Quero um bolo de liberalismo misturado com doce de socialismo. Ao final de um conhaque democrático, no qual o malfadado Kennedy e Buda estejam de mãos dadas, sob as bençãos de Jesus cristo, Max e Freud.
Ao ser informado do episódio - dias depois -, Henrique limitou-se a comentar:
- É, quem vê e tem a coragem de dizer em voz alta a verdade das coisas vai sempre sofrem de solidão e confusão.

TÁVOLA, Artur da. Um porre de democracia e zen-budismo. In: Leilão do mim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987, p. 30-31.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um escrito (bem) diferente

O tempo não disse a que vinha e não consegue concentrar o tanto quanto não digo. Ele é idiota. Tranquilo mas em cativa verborreia maluca. Preciso de uma puta pra dizer que a rosa vermelha apodreceu. O tanto que disse não prosseguiu a luta da tesoura e papel. O papel queimou, mas o véu, este se perdeu no sangue da amada do livro que deixou. NAO! Nas luas vivas não deixavam a poeira se elevar e a jaca magra não foi o piso que melou. O tampo de granito não pode conceber a planta. Manto da terra, não pode deixar a planta nascer. Meu DEUS. Que DEUS. Os eus estão se dando e, num canto, todos damos as mãos. O que precisa este moço é um gosto azedo, um penedo para atirar... Um verso tocado no limbo, apodrecido, um corpo para que viesse o tombo, o corvo que não deixa a volta ao início do texto se rebelar. Um canalha, essa casa. Uma calha a verter diante dos corpos mortos de minha prima e tios. Meus velhos cantos de dor, minha felicidade atroz nessa cara de matraca estão expostos por teu algoz. O perfeito do teu coração matou tua mente e o teste de cor que fizeste não é tua livre valia e o tanto que pensou, pensa e pensará, será o fosso, uma vala, uma calha que, de novo a devorar, faz o caimento do corpo e me diz o que não deixo vomitar. O que tenho a te dizer, João, é que percorrer o escuro maduro impuro impoluto é antes de tudo o uivar. Tenho mais feijão, arroz, carne, batata. Vai bater em quem, na dor ou na lata? Na mamata, bata na batata e diga asneiras a uma antiga chata que maldisse tua avó! O versejar não dissimula a labuta do torneiro que, de tanto maltratar o eixo não disse que a mão dói de ter de usar a chave mestra. O que valho, o que te digo que não fez o grande execrado do tempo, a borracha que criou o punhal que ferrou o coração da madre, que te disse o que não devia e fez a humanidade dever alguma... A rala venda. Contorço-me com as letras da caneta, com a mão e uma luneta, a me sacrificar, mas quando o eterno de uma máquina me conversa sei que tudo um dia sem alegria... Apenas vida me sobrevirá.


Novembro de 2007.